Saúde em Alerta: Médicos denunciam oito meses sem salário e terceirizadas relatam colapso financeiro no Amazonas

Saúde em Alerta: Médicos denunciam oito meses sem salário e terceirizadas relatam colapso financeiro no Amazonas

Profissionais afirmam que atrasos nos pagamentos afetam plantões hospitalares e colocam dezenas de empresas prestadoras de serviços à beira da falência.

Manaus (AM) – Uma grave crise financeira envolvendo prestadores de serviços da rede pública de saúde do Amazonas pode comprometer o funcionamento de hospitais e unidades de atendimento da capital e do interior. Médicos plantonistas, empresas terceirizadas e fornecedores relatam atrasos prolongados nos pagamentos, situação que estaria afetando diretamente a assistência à população.

Segundo relatos de profissionais da saúde ouvidos pela reportagem, médicos vinculados à empresa Queiroz Gestão de Saúde estariam acumulando até oito meses de salários atrasados. De acordo com os plantonistas, a justificativa apresentada pela empresa seria a ausência de repasses financeiros por parte da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), antiga Susam.

A situação tem provocado consequências preocupantes. Médicos afirmam que muitos colegas passaram a buscar fontes alternativas de renda para manter compromissos financeiros básicos, incluindo prestações de veículos financiados e despesas familiares. Alguns profissionais relatam que deixaram de assumir determinados plantões para realizar atividades como motoristas de aplicativos, em busca de renda imediata.

“Há colegas que não conseguem mais sustentar a família apenas com o trabalho médico. Muitos estão recorrendo a outras atividades para sobreviver”, relatou um profissional que pediu anonimato por receio de represálias.

Empresas terceirizadas denunciam dívidas acumuladas

A crise não se limitaria aos profissionais médicos. Representantes do setor afirmam que mais de 40 empresas terceirizadas que prestam serviços à rede estadual de saúde enfrentam dificuldades financeiras em razão de pagamentos pendentes acumulados ao longo dos últimos anos.

Entre os serviços afetados estariam:

Limpeza hospitalar;
Alimentação de pacientes e servidores;
Transporte interno e maqueiros;
Manutenção predial e equipamentos;
Apoio administrativo;
Serviços gerais e operacionais.

Empresários do setor alegam que existem valores em aberto referentes a contratos dos anos de 2021, 2022, 2023, 2024, 2025 e também de 2026. Segundo eles, a falta de regularização dos débitos tem colocado diversas empresas à beira da insolvência.

Possível impacto na assistência

Especialistas ouvidos pela reportagem alertam que a interrupção ou redução desses serviços pode gerar reflexos diretos no atendimento hospitalar. A ausência de equipes médicas, atrasos na manutenção de equipamentos, problemas na limpeza hospitalar e dificuldades logísticas podem comprometer a capacidade operacional das unidades de saúde.

Entidades ligadas ao setor afirmam que a situação exige transparência por parte dos gestores públicos e um cronograma claro para regularização dos pagamentos.

Pressão política aumenta

Nos bastidores, grupos empresariais e representantes de categorias profissionais estariam se articulando para ampliar a divulgação das reivindicações. Empresários afirmam que pretendem utilizar o período eleitoral para expor publicamente o que classificam como “calote institucional” e cobrar providências das autoridades responsáveis.

O tema também pode ganhar relevância no debate político estadual, especialmente diante das discussões sobre a situação financeira herdada pela próxima administração estadual e os desafios para reorganizar as contas da saúde pública.

O que dizem os envolvidos

A reportagem procurou a Queiroz Gestão de Saúde e a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas para comentar as denúncias de atrasos salariais e pendências contratuais. Até o fechamento desta edição, não houve manifestação oficial. O espaço permanece aberto para esclarecimentos e posicionamentos das partes citadas.

Enquanto isso, médicos, trabalhadores terceirizados e empresários aguardam uma solução para uma crise que, segundo eles, ameaça não apenas a sustentabilidade financeira dos prestadores de serviços, mas também a continuidade da assistência à população amazonense.

redacao news

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